sábado, 20 de outubro de 2012

Gunas


Todos os seres vivos tem em sua essência o três gunas em perfeito equilíbrio (sattva, rajas e tamas). Por exemplo, quando um homem move um cadeira a energia que fez com que ele olhasse a cadeira e pensasse “vou trocá-la de lugar, ela não está bem aí” é sattva, a ação de movimento de seu corpo em direção a cadeira é rajas e o seu próprio corpo é tamas. Ou seja, sattva – mental, rajas – força, tamas – material.
Os gunas são as principais forças da Inteligência Cósmica e determinam nosso desenvolvimento espiritual. São as qualidades sutis da natureza e fundamentam a vida, a matéria e a mente. Todos os objetos do Universo são compostos por diferentes combinações desses três gunas. Eles são um nível mais profundo que os humores biológicos.
SATTVA – é a qualidade da inteligência, da virtude e da bondade. Cria harmonia, equilíbrio e estabilidade. É leve e luminosa. Movimento para cima e para dentro. É a energia que tende ou busca o equilíbrio do organismo.
RAJAS – é a qualidade da mudança, da atividade, da agitação. Acrescenta um desequilíbrio que perturba o equilíbrio. É a energia de ação. Ou seja, é absolutamente necessária para gerar o movimento. Movimento é vida e vida é movimento. A energia vital é essa faísca necessária para originar o movimento, sem o qual não há vida. Um organismo absolutamente inerte (em todos os níveis) é um organismo morto. Mas Rajas também, por sua natureza desequilibrada, resulta em dor. É a força da emoção que causa sofrimento e conflito.
TAMAS – é a qualidade da inércia, da escuridão e do embotamento. É pesada ou difícil em sua ação. É como a força da gravidade que prende as coisas em formas específicas. É a substância, o material. Fazendo um paralelo: Nossa alma está presa ao nosso corpo, materializada nessa forma específica. Essa materialização é fruto da energia de tamas. Mas tamas traz à tona a ignorância e ilusão, e favorece a insensibilidade, o sono e a perda da consciência.
Possível que se possa considerar que todas as manifestações grosseiras são tamásicas ou rajásicas (tamásicas num nível mais material, concreto e rajásicas num nível mais energético, sentimental). As manifestações sutis são sattvicas.
Acredito então que um alimento, por exemplo, tem a energia vital de sattvica e a matéria (proteínas, carboidratos etcs) de tamásico. Provavelmente as enzimas digestivas presentes nesse alimento sejam rajásicas e certamente o nosso fogo digestivo que digere o alimento é rajásico.
Podemos concluir que alimentos como carnes, enlatados etcs são tamásicos, assim como legumes e verduras ficam gradativamente mais tamásicos a medida que vão perdendo energia vital (ou cozidos muito antes do consumo, ou na geladeira por muito tempo). Resumo da ópera: será que dá pra afirmar que alimentos mais próximos na terra (o mais frescos possíveis – do horta para a mesa) são mais sattvicos.
Agora, pensando na alimentação viva, uma alimentação extremamente sattvica, não considero que nos deixe, em níveis sutis no mais ideal. Porque não há equilíbrio com as outras energias que, apesar de não serem de expansão da consciência, são fundamentais para a vida na matéria. Levando para a teoria do Ying-Yang, pessoas que comem apenas alimentos crus são demasiadamente cabeça-na-lua. Sem ação e sem presença no mundo terreno. Pensando em termos de equilíbrio, certamente é melhor recorrer o máximo possível a modos de alimentação sattvicos, porque nossos hábitos na atualidade são quase todos tamásicos e rajásicos, mas isso não quer dizer que tem que se apelar para o sattvico, o segredo é o equilíbrio harmônico entre essas três energias.
A vida precisa oscilar ente equilíbrio e desequilíbrio... porque a própria oscilação é vida. O que não oscila é morto.
Voltando ao livro:
Tipos mentais de acordo com os gunas:
Sattva predominante – chave para a saúde, a criatividade e a espiritualidade. Pessoas sáttvicas tem uma natureza harmoniosa e adaptável. Maior imunidade. Adquirem cada vez mais equilíbrio e paz de espírito. São ponderadas com os outros e cuidam de si mesmas. Encaram a vida com experiência  de aprendizagem e procuram o bem em tudo, até mesmo na doença, que procuram entender e não apenas curar.
Rajas predominante – são pessoas com muita energia, mas acabam se cansando por atividade excessiva. Mente agitada, opiniões fortes (eu), impacientes e incoerentes, culpam os outros por seus problemas. Mesmo quando realizam seu objetivos ainda não se consideram felizes.
Tamas predominante – bloqueios psicológicos profundamente arraigados. Energia e emoção estagnados e reprimidos. Desconhecem seus problemas e não buscam tratamento. Deixam que outras pessoas e energias negativas as dominem e não gostam de ser responsáveis pela própria vida.
A sociedade atual é predominantemente rajásica, o que acaba caracterizando a maioria de nós. Altamente sattvicos são uma raridade, revela santos ou sábios. Altamente tamásicos nem leriam nem buscariam nada relacionado à ayurveda, por exemplo.
  

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