Todos os seres vivos tem em sua essência o três gunas em
perfeito equilíbrio (sattva, rajas e tamas). Por exemplo, quando um homem move
um cadeira a energia que fez com que ele olhasse a cadeira e pensasse “vou trocá-la
de lugar, ela não está bem aí” é sattva, a ação de movimento de seu corpo em
direção a cadeira é rajas e o seu próprio corpo é tamas. Ou seja, sattva –
mental, rajas – força, tamas – material.
Os gunas são as principais forças da Inteligência Cósmica e
determinam nosso desenvolvimento espiritual. São as qualidades sutis da
natureza e fundamentam a vida, a matéria e a mente. Todos os objetos do
Universo são compostos por diferentes combinações desses três gunas. Eles são
um nível mais profundo que os humores biológicos.
SATTVA – é a qualidade da inteligência, da virtude e da
bondade. Cria harmonia, equilíbrio e estabilidade. É leve e luminosa. Movimento
para cima e para dentro. É a energia que tende ou busca o equilíbrio do
organismo.
RAJAS – é a qualidade da mudança, da atividade, da agitação.
Acrescenta um desequilíbrio que perturba o equilíbrio. É a energia de ação. Ou
seja, é absolutamente necessária para gerar o movimento. Movimento é vida e
vida é movimento. A energia vital é essa faísca necessária para originar o
movimento, sem o qual não há vida. Um organismo absolutamente inerte (em todos
os níveis) é um organismo morto. Mas Rajas também, por sua natureza
desequilibrada, resulta em dor. É a força da emoção que causa sofrimento e
conflito.
TAMAS – é a qualidade da inércia, da escuridão e do
embotamento. É pesada ou difícil em sua ação. É como a força da gravidade que
prende as coisas em formas específicas. É a substância, o material. Fazendo um
paralelo: Nossa alma está presa ao nosso corpo, materializada nessa forma
específica. Essa materialização é fruto da energia de tamas. Mas tamas traz à
tona a ignorância e ilusão, e favorece a insensibilidade, o sono e a perda da
consciência.
Possível que se possa considerar que todas as manifestações
grosseiras são tamásicas ou rajásicas (tamásicas num nível mais material,
concreto e rajásicas num nível mais energético, sentimental). As manifestações
sutis são sattvicas.
Acredito então que um alimento, por exemplo, tem a energia
vital de sattvica e a matéria (proteínas, carboidratos etcs) de tamásico.
Provavelmente as enzimas digestivas presentes nesse alimento sejam rajásicas e
certamente o nosso fogo digestivo que digere o alimento é rajásico.
Podemos concluir que alimentos como carnes, enlatados etcs
são tamásicos, assim como legumes e verduras ficam gradativamente mais
tamásicos a medida que vão perdendo energia vital (ou cozidos muito antes do
consumo, ou na geladeira por muito tempo). Resumo da ópera: será que dá pra
afirmar que alimentos mais próximos na terra (o mais frescos possíveis – do
horta para a mesa) são mais sattvicos.
Agora, pensando na alimentação viva, uma alimentação
extremamente sattvica, não considero que nos deixe, em níveis sutis no mais
ideal. Porque não há equilíbrio com as outras energias que, apesar de não serem
de expansão da consciência, são fundamentais para a vida na matéria. Levando
para a teoria do Ying-Yang, pessoas que comem apenas alimentos crus são
demasiadamente cabeça-na-lua. Sem ação e sem presença no mundo terreno. Pensando
em termos de equilíbrio, certamente é melhor recorrer o máximo possível a modos
de alimentação sattvicos, porque nossos hábitos na atualidade são quase todos
tamásicos e rajásicos, mas isso não quer dizer que tem que se apelar para o
sattvico, o segredo é o equilíbrio harmônico entre essas três energias.
A vida precisa oscilar ente equilíbrio e desequilíbrio...
porque a própria oscilação é vida. O que não oscila é morto.
Voltando ao livro:
Tipos mentais de
acordo com os gunas:
Sattva predominante – chave para a saúde, a criatividade e a
espiritualidade. Pessoas sáttvicas tem uma natureza harmoniosa e adaptável.
Maior imunidade. Adquirem cada vez mais equilíbrio e paz de espírito. São
ponderadas com os outros e cuidam de si mesmas. Encaram a vida com experiência de aprendizagem e procuram o bem em tudo, até
mesmo na doença, que procuram entender e não apenas curar.
Rajas predominante – são pessoas com muita energia, mas
acabam se cansando por atividade excessiva. Mente agitada, opiniões fortes
(eu), impacientes e incoerentes, culpam os outros por seus problemas. Mesmo
quando realizam seu objetivos ainda não se consideram felizes.
Tamas predominante – bloqueios psicológicos profundamente
arraigados. Energia e emoção estagnados e reprimidos. Desconhecem seus
problemas e não buscam tratamento. Deixam que outras pessoas e energias
negativas as dominem e não gostam de ser responsáveis pela própria vida.
A sociedade atual é predominantemente rajásica, o que acaba
caracterizando a maioria de nós. Altamente sattvicos são uma raridade, revela
santos ou sábios. Altamente tamásicos nem leriam nem buscariam nada relacionado
à ayurveda, por exemplo.
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